Rockstar: Alexandre Almeida

Há mais de 10 anos no Marketing Esportivo e Gerente de Operações de Marketing da FIFA, Alexandre Almeida conta o que acha do mercado de eventos esportivos no Brasil.

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A experiência como atleta e o gosto pelos esportes levaram Alexandre Almeida, gerente de Operações de Marketing da FIFA, a entrar no mercado de Marketing Esportivo há cerca de 10 anos. Formado em Publicidade e Mestre em Gestão Esportiva desde 2011, Alexandre acredita que os grandes eventos de 2014 e 2016 podem trazer maior interesse e visibilidade para a prática de esportes no Brasil e que o setor ainda tem muito a crescer, investindo em qualificação, criatividade e boas práticas de mercado. Batemos um papo com ele e o resultado vocês conferem a seguir:

1. Como surgiu a vontade de trabalhar com marketing esportivo e há quanto tempo você está nessa área? Qual a sua visão sobre a realidade atual e o potencial desse mercado no Brasil?

Comecei a trabalhar com Marketing Esportivo a partir de uma necessidade minha como atleta. Fui velejador durante 12 anos e precisei estudar os conceitos de marketing esportivo pra criar meus próprios projetos de patrocínio. Como a área era na época pouquíssimo explorada e eram raros os projetos bem feitos, vários amigos começaram a me pedir projetos e eu vi que havia uma área a ser explorada.

Depois que me formei em publicidade, me aprofundei mais no assunto e cheguei a ter uma agência de marketing e eventos esportivos. Posso dizer que comecei a trabalhar mais profissionalmente com isso em 2004, então já vão quase 10 anos, incluindo aí o FIFA Master – um Mestrado Internacional em Gestão Esportiva, concluído na Suíça em 2011.

O mercado esportivo no Brasil ainda tem muito a oferecer. Sem dúvidas, os eventos de 2014 e 2016 são grandes marcos, e já estão aquecendo áreas como licenciamento, ativações promocionais, branding, gestão de atletas, gestão de estádios, alimentos e bebidas em estádios e diversas áreas que giram em função dos eventos. Todas essas áreas demandam profissionais com especializações um tanto específicas que ainda são raros no Brasil.

Isso me leva a pensar que muitas oportunidades ficarão depois que os eventos passarem, até mesmo porque o Brasil tem mega eventos esportivos todos os anos que de certa forma demandam dos mesmos serviços, como eventos de triatlo, vôlei de praia, os estaduais, regionais e o brasileiro de Futebol, Formula 1, entre diversos outros. E me arrisco a dizer que o interesse por esporte de uma maneira geral vai aumentar na carona dos mega eventos, e eventos menores também tendem a se beneficiar com um aumento na audiência e bilheteria. E precisarão, eventualmente, de uma gestão mais especializada.

2. Quais os impactos de eventos como a Copa do Mundo 2014 e as Olimpíadas 2016 para o setor e para o país? O que eles podem trazer de mais interessante/inovador?

Pra responder a esta pergunta, é necessário analisar a cadeia de serviços ligada à área esportiva. Exemplo: um torcedor quer ir ao estádio assistir a uma partida de futebol. A partir daí, ativamos a área de bilheteria, que precisa estar modernizada e oferecer bilhetes online e com catracas modernas; ativamos o setor de transportes, que precisa facilitar o acesso ao estádio seja com ônibus, metrô ou até mesmo estacionamento; ativamos o serviço de informações ao espectador, este que precisa de orientação pra chegar ao portão correto para encontrar o seu assento; os serviços de alimentação, que precisam ser ágeis e de qualidade (muito mais próximos de um fast food de shopping, ainda mais rápidos, do que os amendoins em saquinho de procedência duvidosa e bebidas trazidas em isopor velho com gelo sujo condenados pela vigilância sanitária); venda de produtos licenciados dos times; empresas de segurança que atuam no estádio; ativações dos patrocinadores no estádio e em promoções ligadas ao jogo, enfim. A cadeia é vasta, e cada área deixa de faturar se não estiver modernizada e com gestores especializados e atualizados.

3. Quais são as principais vantagens e os desafios de trabalhar na área de eventos esportivos? Quais são as suas dicas para se manter criativo, inovador e atingir resultados cada vez melhores nesse segmento?

Eu diria que uma grande vantagem é a de estarmos lidando com um mercado diversificado que tem muito a melhorar e que movimenta muito dinheiro. Isso oferece novas possibilidades e oportunidades. O grande desafio é introduzir novos serviços e padrões quando cada peça do quebra-cabeças depende de algumas outras pra funcionar bem. Num exemplo bem simplificado: o sucesso da gestão de um estádio depende de certa forma do sucesso da gestão de um clube, que depende da performance do time e que afeta diretamente a bilheteria. E quando adicionamos o ingrediente da política dos clubes de futebol, a coisa se complica mais, já que é um grande desafio por em prática um planejamento de longo prazo quando uma gestão de diretoria dura poucos anos.

Eu diria que criatividade é um exercício diário e exaustivo na busca de soluções + uma boa dose de bom senso. Isso não se ensina, mas pode ser estimulado com a observação e análise de exemplos em outros mercados, e também com cursos de especialização, palestras ou até conversas com outros profissionais. Acredito muito que cursos de especialização são muito necessários para profissionais que queiram se aprofundar nesta área, além de grandes estímulos à evolução do mercado.

 

4. O engajamento popular em eventos esportivos ao ar livre ou praticados na rua como corridas, bicicletas e torneios de patins e skate vem crescendo rapidamente nos últimos tempos. Além dessa tendência, o que mais você acha que nos aguarda no futuro das práticas esportivas no Brasil? Que esportes/competições devem surgir ou se firmar no país?

Acredito que modalidades Olímpicas de uma maneira geral tendam a se desenvolver um pouco mais no Brasil nos próximos anos pela exposição durante os Jogos Olímpicos. Eu particularmente vejo com bons olhos os esportes de participação, que são aqueles que podem ser praticados por não-atletas como nos exemplos citados, principalmente os que demandam poucos equipamentos, como as corridas e passeios ciclísticos.

Outro fator essencial é o potencial de gerar espectadores, que no fim das contas é o que ativa toda a cadeia produtiva do esporte. Mas a consolidação de um esporte no mercado está diretamente ligada à qualidade de seus gestores, que precisam cativar e fidelizar praticantes e público primeiro, de maneira muito sólida, para só depois ativar a cadeia de produção. E encontrar bons gestores especializados na área esportiva ainda é um desafio no Brasil.